“ENOTURIMO” NA REGIÃO VITIVINÍCOLA DA BORGONHA NA FRANÇA

O emblemático Château du Clos de Vougeot e as origens monásticas da região vitivinícola da Côte d´Or, na Borgonha.

 

 

A região vitivinícola da Borgonha, na França, traz algumas das mais interessantes possibilidades de enoturismo: belas paisagens, excelentes vinhos, e ainda uma riquíssima história da evolução do homem em sociedade. Dando continuidade à nossa série de artigos sobre a região, essa semana trazemos a história do legendário Château du Clos de Veugeot, que remonta ao século XII. Neste artigo Marcio Morena/Enólogo e nosso colunista, está nesta viagem e conta tudo hoje no Conceito de Luxo.

Mas antes, é preciso lembrar que a Borgonha goza de um “terroir” excepcional, desfrutando de condições climáticas e geográficas ideais para o cultivo de determinadas varietais (especialmente a Pinot Noir e a Chardonnay), o que justifica a sua fama de berço de grandes vinhos famosos em todo o mundo, e o título de patrimônio mundial da humanidade outorgado pela UNESCO em 2015, como já comentamos.

Dentro da região vinícola da Borgonha, que se estende por 150 km, percorremos a chamada “Rota dos Grands Crus”, que compreende a Côte d´Or (realmente uma costa de ouro que produz vinhos de excelência inquestionável), com paisagens de uma beleza ímpar, e que alberga as chamadas Côte de Nuits e Côte de Beaune, cada qual apresentando um emaranhado de regiões e subregiões, apelações e classificações diferentes, dentre as quais está Vougeot.

Vougeot é uma comuna francesa situada a 19 km ao sul de Dijon e 5 km ao norte de Nuits-Saint-Georges, situando-se entre Chambolle-Musigny e Flagey-Echezeaux, ao longo da Côte de Nuits. A área sustenta uma reputação de prestígio em todo o mundo pelos seus vinhos, com a denominação “Grand Cru Clos Vougeot”.

É nessa região que foi construído o famoso Château du Clos de Vougeot, cuja história remonta ao século XII, quando os monges da abadia cisterciense tornaram-se donos dos vinhedos de toda a região, por meio de doações de caridade dos nobres da Borgonha, e iniciaram a produção dos célebres vinhos, evidentemente para utilização religiosa, ao menos num primeiro momento.

No século XV, os monges constroem uma grande estrutura para produção de vinhos e, em 1551, Dom João XI Loisier, 48º abade da abadia cisterciense, amplia essa construção com uma mansão renascentista, inspirada no palácio real do Louvre. Após a Revolução Francesa, essa abadia cisterciense e seus 13.000 hectares de vinhedos adquiridos através dos séculos foram confiscados em 13 de fevereiro de 1790, tornando-se uma propriedade do Estado da França.

A propriedade foi então vendida pelo maior lance, e foi passando na mão de muitos proprietários privados, até ser abandonada durante grande parte do século XIX até 1889, quando foi adquirida por Léonce Bocquet, um rico proprietário de vinhedos e comerciante de vinhos que a restaurou.

Em 1920, o Château é resgatado por Étienne Camuzet, vice-prefeito da Côte-d’Or, e importante proprietário de vinhedos em Vosne-Romanée, que o manteve fechado. Em 29 novembro de 1944, o arrenda por 99 anos à sociedade civil “Amigos do Clos de Vougeot”, formada pelos principais membros da famosa Confraria dos Cavaleiros do Tastevin, criada em 1934.

A cada mês, a Confraria dos Cavaleiros do Tastevin, que atualmente conta com mais de 12.000 membros em todo o mundo, realiza anualmente um grande ritual de alta gastronomia com 500 convidados, em seu grande salão de banquetes. Atualmente, os vinhedos de Clos Vougeot pertencem a mais de 80 proprietários diferentes, e o Château, apesar de não mais produzir vinhos, tornou-se um verdadeiro monumento para a promoção internacional dos vinhos da Borgonha, e também da sua gastronomia. Apesar de não produriz mais vinhos, continuam a ser o símbolo de quase um milênio de história da Borgonha.  Nem preciso dizer que é visita obrigatória, não só para os amantes de vinho, mas para qualquer turista que passe pela região! 

Para maiores informações:

http://www.vins-bourgogne.fr

http://www.beaune-tourisme.fr

http://www.closdevougeot.fr/fr/

Continuem acompanhando, curtindo e compartilhando! A biêntot!

Um beijo e um brinde!

Marcio Morena

Sobre Luis Guilherme

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Luis Guilherme Zenga, Jornalista, 20 anos com passagens por diversas editorias desde Área Têxtil, Moda, Beleza, Cidades, Entretenimento e há 10 anos apaixonado pela editoria de Gastronomia e Turismo. Criei o Conceito de Luxo Magazine, por ter a cobrança de meu leitor em dar a minha opinião pessoal sobre as matérias que escrevo nos veículos que atuo.

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