ESPECIAL VINHOS VERDES “PORTUGAL”

ESPECIAL VINHOS VERDES EM PORTUGAL

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Os vinhos verdes são a cara do verão brasileiro! (da série: Conceito de Luxo em Portugal pelo enófilo Marcio Morena).

Muitas pessoas quando pensam em vinhos portugueses, prontamente lhes vem à mente o tradicional Porto, um vinho licoroso produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, no norte do país. No entanto, Portugal produz uma variedade imensa de fabulosos vinhos, cuja maior parte é consumida pelo próprio mercado interno (o consumo “per capita” é de aproximadamente 42,5 litros).

A maior parte dos vinhos portugueses são elaborados a partir de varietais autóctones, que abarcam desde os carnosos tintos da região do Douro, até os frescos e levemente borbulhantes vinhos verdes, protagonistas dessa matéria!

Estivemos na região dos Vinhos Verdes, à noroeste de Portugal, que vai da cidade do Porto até o rio Minho, fronteira com a Espanha, para degustar “in loco” essa exclusividade portuguesa.

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Originariamente demarcada em 18 de setembro de 1908, a Região dos Vinhos Verdes foi descrita por Amorim Girão, geógrafo português, como “um vasto anfiteatro que, da orla marítima, se eleva gradualmente para o interior”, expondo toda a área à influência do oceano Atlântico, fenômeno reforçado pela orientação dos vales dos principais rios, que correndo de nascente para poente facilitam a penetração dos ventos marítimos.

A influência atlântica, os solos de origem granítica, o clima ameno e a elevada precipitação, traduzem-se na frescura, leveza e elegância desses vinhos. O nome “vinho verde” refere-se mais a essa juventude do que à sua cor propriamente dita.

Esses vinhos passam pela fermentação alcoólica, seguida da fermentação malolática, sobrando-lhe um pouco de gás carbônico, o que nos oferece aquela agradável sensação de “agulha” na boca. A maioria dos vinhos verdes são de varietais brancas, mas também há vinhos verdes tintos.

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Os brancos são frescos, graças à sua alta acidez, e combinam com pratos à base de peixes, mariscos, e frutos do mar em geral. Possuem um baixo teor alcoólico, entre 7% e 11%, e devem ser consumidos gelados (de 6 a 8 graus) e muito jovens (preferencialmente no ano em que foram produzidos). Por isso acreditamos que os vinhos verdes são a cara do Brasil, pois combinam demais com o nosso clima tropical!

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Os melhores vinhos verdes são elaborados a partir das varietais Alvarinho, Loureiro ou Trajadura, mas há uma grande quantidade de castas com as quais podem ser produzidos. Aromaticamente costumam apresentar um “bouquet” que recorda muito à limão, e um toque de flores brancas. As marcas mais conhecidas entre os brasileiros são os famosos Casal Garcia, Quinta da Aveleda e o Gatão, mas há uma variedade enormes de excelentes vinicultores na região.

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Em nossa visita à região, buscamos fugir das tradicionais vinícolas e fomos conhecer a Quinta da Torre, a poucos minutos do centro de Marco de Canaveses, a cidade de nascimento da Carmem Miranda. Fomos recebidos com muita simpatia pelo seu administrador, André Amaral, que nos contou que a vinícola nasceu do sonho do seu proprietário, José Manuel Mendes, que, em 1995, adquiriu uma quinta abandonada e transformou-a no espaço moderno e inspirador, envolvido por uma zona de grande beleza paisagística.

O belo espaço conta com um espaço exterior arborizado, com várias áreas de jardim e lagos, e também está aberto a eventos sociais e em breve receberá também turistas num futuro espaço para degustações.

André nos proporcionou uma visita à propriedade e nos explicou passo a passo a produção dos vinhos verdes. Ao final, pudemos degustar a gama de vinhos produzidos sobre o nome S. Caetano, cujos belos rótulos coloridos representam monumentos e edifícios da cidade do Porto, e nos contou que tem planos para que seus vinhos estejam, em breve, disponíveis no mercado brasileiro.

Esperamos que sim, porque realmente o vinho verde merece ser conhecido e apreciado pelos brasileiros!

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Um beijos e um brinde!

 Marcio Morena /Enófilo
Doutor em Direito pela Universidade de Barcelona

*A fermentação maloláctica permite ao enólogo controlar a acidez e acrescentar novos aromas e sabores aos vinhos. É Também conhecida como “segunda fermentação” que compreende a transformação do gustativamente áspero ácido málico em ácido lático, mais macio, por meio da presença de bactérias láticas que fazem parte da flora natural do mosto de uvas tanto quanto as leveduras que promovem a fermentação alcoólica.

Sobre Luis Guilherme Zenga

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LUIS GUILHERME ZENGA – Jornalista de formação, com 25 anos atuando na área, passou por diversas editorias desde Área Têxtil, Moda, Beleza, Comportamento, Cidades e Entretenimento. Há 15 anos escrevendo nas editorias de Gastronomia, como crítico gastronômico, Enogastronomia (Vinhos e Cervejas) e Turismo Gastronômico. Colaborador no GOOGLE MAPS, avaliando Restaurantes visitados e tendo mais de (Cinco milhões e trezentas mil visualizações comprovadas) até a data de 01/2019.

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